Exortação dirigida aos Guias por frei Ignacio Larrañaga.

Curitiba, 27 de setembro de 2009.

Oração e humildade: As Oficinas, com a ajuda de Deus, permanecerão por séculos se se cumprem certas condições. Primeiro, que os Guias sejam realmente pessoas orantes. Pessoas que, como prioridade, levam adiante o trato pessoal com o Senhor, em silêncio e solidão, em profundidade e em intimidade. Se se realiza isso e, segundo, se formos realmente humildes, que é a condição absoluta do amor, pois é impossível o amor onde não há humildade.

Como transmitir fogo sagrado? Que fazer para que os corações vibrem? Que fazer para que o fogo não se apague? Que fazer para que a rotina não se arraste, porque é o inimigo mais traiçoeiro e, por conseguinte, mais perigoso, porque ninguém se dá conta, porque tudo o que se repete cansa, o que cansa se gasta, o que se gasta perde novidade e interesse.

De que maneira o Senhor Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo fará que eu possa despertar nos Guias um dinamismo entusiasta que cative, arraste e convença? Que fazer para que as Oficinas sejam um vento impetuoso de Pentecostes que estremeça e incendeie os corações dos famintos e sedentos de Deus que se aproximam de nós?

Eu estou buscando que Deus seja conhecido e amado nos corações e, assim, transformem suas vidas. Em minha vida, fiz o possível e o impossível para que esse ideal seja uma realidade. Mas que fazer quando eu tiver desaparecido da cena da vida? Tenham a certeza de que, muitas vezes, me ajoelharei, na eternidade, diante do Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, pedindo assistência, visitações e graças sobre os Guias de todo o mundo.

Quero Guias ardorosos como chamas, que deem calor, vida e luz aos que vêm a nós buscando Deus. Os oficinistas que chegam aos Guias vêm buscando a Deus, sabendo sem saber, geralmente, sem saber, porém, vêm buscando a Deus; não o sabem, porém, vêm buscando a Deus. Não podemos calar, porque, se calássemos, falariam as pedras do caminho.

O Guia é um apóstolo de Jesus Cristo que leva a sério sua missão divina e se entrega a ela sem limites. O Guia dá a vida, entrega toda a sua vida. Os Guias testemunham a transcendência do eterno sobre os valores efêmeros e transitórios.

Simplesmente, o Guia é o dispensador da vida eterna, com suas aspirações e inquietudes e mesmo com seus limites e carências. O Guia prepara cada Sessão diligentemente, chega meia hora antes, acolhe com os braços abertos os oficinistas, envolve-os num caloroso olhar e transmite vida eterna a seus corações esfomeados e sedentos de Deus, sem o saber.

As Oficinas realizam, na Igreja, aquilo que constitui o próprio fundamento da edificação da Igreja: a vida de fé e vida de oração. Vida, não teorias, não teologias, não abstrações mentais. Tudo está bem, porém, isso é secundário. O que nos importa, o que nos interessa é a vida. Em nossa Igreja, existe muita doutrina, muita teoria e muito rito, mas pouca mística, pouca vibração pentecostal. João XXIII, João Paulo II, Bento XVI gritaram, uma e outra vez, ao povo de Deus, ou seja, aos diferentes níveis da Igreja, aos clérigos: ensinem ao povo de Deus a orar!

Onde estão os mestres de oração na Igreja Católica? Pois aqui estão. Bem ou mal, vocês fazem o que ninguém faz na Igreja. Ensinar a orar de maneira ordenada, metódica, sistemática, progressiva, variada. Vocês e ninguém mais. E, se vocês não o fazem, ninguém o faz. Então, teremos uma Igreja de palavras vazias e nada de espírito, sem vibração pentecostal.

Vocês estão fazendo o único necessário. Porque se a religião não é vida, não é contato pessoal, não é trato de amizade, estando verdadeiramente a sós com o Senhor que nos ama, se não é isso, o que é a religião? Pura coisa artificial, nada mais, ritos e exterioridade. Os Guias das Oficinas de Oração e Vida são os que dão sentido, primeiro e último, à Igreja de Deus, e, se não se faz isso, ninguém o faz; e, se vocês não o fazem, ninguém vai fazê-lo. Nós estamos fazendo, na Igreja, uma tarefa não só necessária, mas também fundamental, que é a de colocar o Deus vivo e verdadeiro no centro da vida de cada crente.


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FALA A ESPERANÇA
[...]
Venha. Vamos começar outra vez.
Você vai resplandecer com o fulgor dos antigos profetas no meio do povo.
Quando o virem, todos dirão: “é um prodígio do nosso Deus”.
Olhe: essas estrelas azuis ou vermelhas faíscam desde a eternidade e até a eternidade. Seja como elas: não se canse de brilhar. Semeie, pelos campos secos e cumes agrestes da misericórdia, a esperança e a paz. Não se canse de semear, mesmo que seus olhos nunca vejam as espigas douradas. Os pobres, um dia, hão de vê-las.
Caminhe. O Senhor Deus será luz para os seus olhos, alento para os pulmões, óleo para as feridas, meta para o seu caminho, prêmio para o seu esforço.
Venha. Vamos começar outra vez.


Equipe Local Curitiba 1
Dia Mensal do Guia
19/agosto/2018


¹ Trecho extraído do livro MOSTRA-ME O TEU ROSTO (p. 480) de frei Ignacio Larrañaga.


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